Pai pede ajuda para cuidar de bebê que nasceu com órgãos expostos
Criança foi diagnosticada com gastrosquise apenas na hora do parto.
Ela passou por cirurgia e ficará internada por cerca de 50 dias.
A pequena Ludymilla nasceu com o abdômen aber-to e precisou passar por cirurgia. (Foto: Wellington
Ferreira/Arquivo Pessoal)
Desde então, a pequena Ludymilla Vitória está hospitalizada e precisa de acompanhante por 24 horas, segundo a família. "A gente está com muita dificuldade porque é longe e a gente gasta R$ 20 por dia com o transporte. Minhas tias estão se revezando, mas é muito difícil. Eu não consigo ir porque preciso trabalhar”, afirma o pai da bebê, Wellington Aparecido Ferreira.
A condição foi descoberta apenas no momento do parto, apesar de a mãe ter feito pré-natal e exames de ultrassonografia em duas etapas da gestação. “Queremos saber onde aconteceu o erro. O pessoal do hospital onde a minha filha fez a cirurgia para consertar o problema disse que quando a criança nasce com isso todo mundo já fica sabendo antes e ela é operada logo em seguida. A minha filha teve que ser transferida para outro hospital e só foi fazer a cirurgia no dia seguinte.”
Segundo a mãe, a dona de casa Paloma Hikaru Kamimura, de 19 anos, a gestação foi tranquila. “Fiz o pré-natal no posto de saúde e não teve nenhum problema. O médico me pediu ultrassom quando a bebê estava com três meses e meio e depois com seis meses. Deu tudo normal. Na minha última consulta de pré-natal, uns 14 dias antes de ela nascer, eu pedi para o médico para fazer o ultrassom morfológico porque minhas amigas e outras mulheres da minha família tinham feito e falaram para mim que era importante. Ele disse que estava tudo bem e não precisava”, conta a jovem mãe.
Cirurgião pediátrico e professor do curso de Medicina em uma universidade de Mogi das Cruzes, Kleber Sayeg afirma que normalmente o ultrassom morfológico é pedido quando as imagens do ultrassom comum captam indícios de que algo está fora do normal. "O morfológico normalmente é um exame auxiliar que é pedido quando o médico detecta alguma alteração no ultrassom comum. O morfológico pode dizer se há outras más formações associadas", explica.
Paloma e Wellington com o boletim de ocorrência que registraram sobre o caso e a certidão de nascimento da filha. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)Sayeg analisou as imagens da última ultrassonografia feita por Paloma. "Pelas imagens eu não consigo ver uma gastrosquise. Pode ser que o corte da imagem não favoreça. Às vezes o ângulo em que a criança está não permite uma imagem clara", afirma.
No último ultrassom de Paloma não foi possívelidentificar nenhuma anomalia, segundo professor
de medicina. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)
Paloma afirma ter pedido ao médico que fez o pré-natal que o ultrassom morfológico fosse realizado.
(Foto: Pedro Carlos Leite/G1)
Transporte
A criança foi transferida no dia seguinte ao nascimento para um hospital do bairro de Itaquera, na capital. Lá, ela passou por cirurgia e seu quadro é estável. Porém, a família ainda enfrenta problemas. “Ela deve ficar lá por cerca de 50 dias e é preciso ficar alguém lá com ela 24 horas acompanhando", conta Wellington, que aos 21 anos trabalha como pintor de carros.
A família procurou a Prefeitura de Biritiba Mirim em busca de transporte para São Paulo. “Na Secretaria de Saúde eles reconheceram que é obrigação da Prefeitura fornecer o transporte quando não tem o serviço específico na cidade, mas disseram que não podiam fazer nada porque o carro deles que fazia isso foi roubado. Falaram para a gente procurar a Assistência Social mas até agora ninguém nos atendeu”, afirma Andréia Aparecida Ferreira, que é irmã de Wellington.
O G1 entrou em contato com a Prefeitura por telefone e aguarda uma posição sobre o transporte e sobre os exames oferecidos durante o pré-natal.

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